BRICS defendem reforma da ONU e da OMC, diz embaixador da Índia
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O embaixador da Índia em Lisboa, Puneet Kundal, cujo país exerce a presidência rotativa dos BRICS, defendeu hoje serem necessárias reformas nas Nações Unidas, sobretudo no Conselho de Segurança, e na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Em declarações à agência Lusa à margem da conferência "BRICS+ Num Mundo Multipolar: Poder, Cooperação e Conflito", organizado pelo Observatório do Mundo Islâmico (OMI), que decorreu na Mesquita de Lisboa, o diplomata indiano considerou que o maior desafio que hoje existe a nível internacional passa pelo facto de a ordem atual não representar as realidades do mundo.
"Os BRICS são uma plataforma aberta que tinha cinco membros e agora são 11. É uma plataforma que acredita no multilateralismo, em dar voz ao Sul Global, no desenvolvimento e em abrir opções para países em todo o mundo. Acho que o maior desafio que existe no mundo hoje é que a ordem atual não representa as realidades do mundo hoje. Esta arquitetura financeira, a segurança que existe, representa o que aconteceu no início da Segunda Guerra Mundial. As realidades mudaram-se", sustentou o diplomata indiano.
Essa segurança e sistema que "ainda se mantêm" devem dar lugar a uma nova forma da ordem multilateral - uma das questões principais que o BRICS está a tentar abordar, tal como ficou definido na 18.ª Cimeira do fórum, realizada em setembro passado em Nova Deli.
Os líderes dos 11 países – os quatro fundadores em 2001 (Brasil, Rússia, Índia e China), a que se juntaram, em 2011, a África do Sul e, mais recentemente, a Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Irão e Indonésia – aprovaram uma declaração conjunta após superar divergências diplomáticas relativas a tensões no Médio Oriente, defendendo a reforma da ordem económica mundial, o multilateralismo e criticando sanções unilaterais e guerras tarifárias.
"Se olhar para a declaração dos BRICS, nós também falamos da reforma da OMC e de uma ordem de mercado equitativa, com a OMC no centro. Claro, o Conselho de Segurança da ONU também é parte disso", acrescentou, lembrando que Portugal tem apoiado a Índia para membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.
a Índia é o país mais populoso do mundo, a quarta maior economia e um contribuinte regular para as Nações Unidas.
Sobre os atuais conflitos, Kundal recorreu às declarações do primeiro-ministro indiano, Narenda Modi, que disse ter chegado a altura de "acabar com as guerras em vez de continuar com guerras infindáveis".
"A Índia também concordou com uma mediação entre a Rússia e a Ucrânia. A Índia fará o melhor e o necessário para se alcançar a paz, a segurança e o desenvolvimento. Temos boas relações com a Palestina, temos boas relações com Israel e este documento dos BRICS também especifica que a destruição da infraestrutura civil e as atrocidades contra os civis devem parar. A Índia desempenha bem o seu papel, construtivamente", referiu.
Sobre o facto de a Arábia Saudita e Irão, ambos membros dos BRICS, persistirem nas divergências políticas e militares, sobretudo pela vontade de Riade e de Teerão pretenderem assumir o controlo do Médio Oriente através de guerras externas, Kundal foi parco na resposta, limitando-se a destacar a importância de os dois países terem assinado a declaração de Nova Deli.
"O facto de os dois terem assinado a declaração de Deli significa que conseguimos encontrar um ponto comum entre eles. A paz é sempre desejável", disse.
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