Christa Pike esperou 30 minutos por assistência após execução falhada

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                    Christa Pike esperou 30 minutos por assistência após execução falhada
Christa Pike esperou 30 minutos por assistência após execução falhada (Foto: Reprodução)

Christa Pike, reclusa condenada à pena de morte e que sobreviveu a duas injeções letais, esperou cerca de meia-hora até que lhe fosse prestada assistência médica após a execução mal sucedida. 

 

De acordo com as chamadas feitas para a linha 991 (112, em Portugal) houve alguma confusão entre os operadores telefónicos, os socorristas e os funcionários da prisão sobre a legitimidade do pedido de assistência de emergência médica na câmara de execução. 

Segundo a Associated Press (AP), que obteve as gravações telefónicas, a primeira chamada feita para a central aconteceu pelas 20h40 locais, no dia 30 de setembro, pouco depois de uma hora do início da execução de Pike, de 50 anos. 

A pessoa que contactou a linha de emergência não terá conseguido fornecer um código que ajudasse a verificar a legitimidade do pedido.

"Segundo os nossos supervisores aqui no Departamento de Comunicações de Emergência (DEC, sigla em inglês), fomos informados de que se tratava de uma brincadeira", disse uma operadora, pelas 21h03. 

Só meia-hora depois, por volta das 21h11, é que os funcionários da prisão conseguiram confirmar de que se tratava de uma ocorrência real, tendo então começado a permitir a entrada dos serviços de emergência no estabelecimento prisional. 

De recordar que, a 30 de setembro, dia em que seria executada, Christa Pike permaneceu acordada, falou e cantou com o guia espiritual, após o início da administração do fármaco e, após a primeira dose, continuou a mover-se e a respirar de forma audível.

Segundo testemunhas, Pike estava viva e a fazer barulhos mesmo depois da segunda tentativa de injeção letal, tendo sido transportada de ambulância da prisão.

A reclusa esteve hospitalizada durante quase duas semanas. Os médicos chegaram a declarar morte cerebral, no entanto, Pike ficou consciente e voltou a falar no dia seguinte. 

"Na segunda-feira à noite, tínhamos entendido que Christa estava em morte cerebral e que o suporte de vida seria retirado no dia seguinte", afirmou o advogado Randy Spivey numa conferência de imprensa. "Mas, na terça-feira, para choque de todos, Christa acordou e começou a falar."

No fim de semana, Pike recebeu alta hospitalar e foi transferida de volta para a prisão.

O que acontecerá agora?

A execução falhada no estado do Tennessee abriu um cenário sem precedentes nos Estados Unidos e levantou inúmeras questões a propósito do caso. Desde logo, se a condenação à pena de morte está ainda em vigor ou se, por exemplo, poderá enfrentar uma segunda execução. 

De acordo com vários meios de comunicação internacionais, a sentença de Christa Pike está ainda em vigor apesar de a execução estar suspensa. Ora, segundo o artigo 40-23-117 do Código do Tennessee, que aponta o que acontece quando uma pessoa condenada à pena de morte não é executada "por qualquer motivo", "a sentença continua em vigor e deve ser executada pelo tribunal em que o recluso foi julgado", cita a revista norte-americana People. 

Note-se, no entanto, que para já não há uma nova data definida para que a execução de Pike aconteça. De recordar também que o governador do Tennessee, Bill Lee, suspendeu todas as execuções programadas para este ano, tendo inclusive pedido uma investigação uma investigação "exaustiva" sobre a execução falhada de Pike.

Condenada a pena de morte por crime cometido em 1995

Christa Pike foi condenada à pena de morte pelo homicídio de Colleen Slemmer, uma colega de 19 anos do programa de formação profissional Job Corps, em Knoxville, em 1995.

Slemmer foi esfaqueada e espancada até à morte por Pike e o namorado, colega de ambas na mesma instituição. O caso tornou-se um dos mais mediáticos da altura nos Estados Unidos, sobretudo devido ao facto de o casal ter gravado um pentagrama - um símbolo associado a Satanás - no corpo da vítima. 

Segundo a acusação, Pike receava que Slemmer estaria a tentar roubar-lhe o namorado e, por isso, atraiu-a para uma zona arborizada a 12 de janeiro de 1995, onde a esfaqueou com um x-ato e a agrediu com um pedaço de asfalto. Tadaryl Shipp, o namorado de Pike, admitiu ter sido responsável por gravar o pentagrama.

A mulher foi condenada à pena de morte em março de 1996, enquanto o namorado recebeu uma pena de prisão perpétua, com possibilidade de liberdade condicional, por ser menor de idade na altura em que ocorreu o crime. 

Após sobreviver a 2 injeções letais, o que acontecerá a Christa Pike?

Contra todas as expectativas, Christa Pike, condenada à pena de morte, sobreviveu a duas injeções letais, no estado do Tennessee. Hospitalizada, os médicos declararam morte cerebral, no entanto, Pike acordou, estando "consciente e a falar".

 Notícias ao Minuto | 16:45 - 08/10/2026