Corte no IRS em novembro: Como afeta o reembolso em 2027?
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No próximo mês há um desconto de 50% no IRS, mas os contribuintes devem ter em consideração que este aumento do rendimento disponível em novembro poderá ter impacto no reembolso do imposto a receber, na altura do acerto de contas com o Fisco, em 2027.
"Não obstante a aproximação das retenções ao verdadeiro imposto a pagar sejam genericamente positivas, é possível que mais contribuintes tenham de pagar IRS em 2027. O resultado dependerá dos rendimentos anuais, da situação pessoal e familiar, das deduções aplicáveis e do total de imposto retido ao longo do ano", admitiu Magda Canas, porta-voz da DECO PROteste, em declarações ao Notícias ao Minuto.
A responsável diz que "é fundamental esclarecer que receber mais dinheiro em novembro não significa necessariamente ter uma redução do IRS", lembrando que as "contas finais serão apresentadas mais tarde, aquando da apresentação do IRS, em 2027".
A retenção do IRS na fonte vai ter um corte de 50% em novembro para refletir a descida intercalar do imposto aprovada no Parlamento, voltando a aplicar-se as taxas atuais em dezembro.
Especialistas avisam que corte encolhe reembolso, mas...
O corte de 50% na retenção na fonte aplicado em novembro levará a menores reembolsos de IRS em 2027, ou até que o contribuinte tenha de pagar, mas o acerto é menor do que nos últimos anos, segundo especialistas.
No próximo mês, a redução na retenção "é mais acentuada do que o imposto devido no final", pelo que "vai permitir que o trabalhador fique com mais dinheiro em novembro e pode ter um menor reembolso" no próximo ano, no acerto de contas, disse à Lusa a Bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados, Paula Franco.
Apesar de continuar a ter impacto no montante a receber, ou até a pagar, na campanha de IRS no próximo ano, referente aos rendimentos de 2026, a bastonária salientou que a diferença não será tão grande como em 2024 e 2025, em que também foi feito um ajuste na retenção na fonte para refletir reduções nas taxas de IRS.
Este ano, a diminuição na retenção na fonte de novembro, que inclui o salário e o subsídio de natal, é de 50%, enquanto na descida intercalar do IRS no ano passado, alguns rendimentos, nomeadamente nos primeiros escalões, tiveram um corte de 100% da retenção e houve "reduções muito acentuadas", explicou.
Assim, o reembolso no próximo ano será "de certeza mais pequeno", mas "não fica tão distanciado como noutros anos", concluiu.
Por sua vez, o fiscalista Luís Leon, da ILYA, também notou à Lusa que este corte de 50% na retenção "significa um mês completo de IRS que não adiantamos, isto quando o valor anual de IRS reduzido em 2026 claramente não é equivalente a um mês de retenção na fonte de IRS".
Evite surpresas desagradáveis
Desta forma, "como o sistema normal já aproximou as retenções ao imposto final", com esta redução, "quem não guardar o dinheiro no porquinho mealheiro vai ter uma surpresa desagradável quando entregar a declaração de IRS no próximo ano", alertou.
"Para todos aqueles que, em novembro, venham a ter ainda algum extra face ao que normalmente recebem ao longo do ano, o pagamento depois da entrega da declaração é quase certo", avisou o fiscalista.
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