IL levanta suspeitas sobre o "que Luís Neves sabe sobre o Governo"
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A IL insistiu hoje no pedido de demissão do ministro da Administração Interna, considerando que "já ninguém acredita" no governante e levantando suspeitas sobre o que é "que Luís Neves sabe sobre o Governo" para se manter em funções.
No debate de declarações políticas, no Parlamento, o liberal Rui Rocha insistiu nas críticas que tem feito à continuidade de Luís Neves como ministro da Administração Interna, afirmando que, perante as novas polémicas conhecidas nos últimos dias, que culminaram na demissão do secretário-geral do Ministério da Administração Interna (MAI), "não tardará muito até" ser necessário avaliar a criação de uma nova comissão parlamentar de inquérito.
O deputado recordou que hoje tomou posse uma comissão de inquérito sobre a atuação de Neves à frente da Polícia Judiciária e considerou que já é possível uma nova comissão sobre o período como ministro.
Rui Rocha afirmou que é possível apontar já a "prepotência" e a postura de "posso, quero e mando como máxima absoluta" na atuação de Luís Neves, bem como o "duplo padrão ético" de "exigência máxima para os outros e a máxima complacência para os seus próprios comportamentos".
Acusou ainda o ministro de criar um "grupo fechado de fiéis a quem exige fidelidade canina a troco de promoção, proteção e favorecimento" e de atuar com uma "propensão crescente para usar a mentira, a omissão e a opacidade".
O parlamentar criticou também o PS, acusando os socialistas de protegerem Luís Neves e considerando que o líder do partido, José Luís Carneiro, só "estremeceu na sua sonolência" depois de conhecida a "balbúrdia na Secretaria-Geral do MAI", com a saída de Ricardo Carrilho.
"Até para um socialista que tem como inspiração um padrão político tão rasteiro como o de Pedro Sánchez, isto atingiu o limite. Já nem o criador PS defende a criatura Luís Neves", atirou, considerando que "só mesmo o hospedeiro PSD lhe põe a mão por baixo".
Para Rui Rocha, mesmo que não sejam verdadeiras todas as acusações feitas por Ricardo Carrilho, o país "tem um problema na mesma", porque isso significa que há um "ministro tão descredibilizado, tão mirrado na sua capacidade política, tão minado na sua autoridade, que já ninguém acredita nele".
"Como é possível que Luís Neves seja ainda ministro da Administração Interna? [...] A única resposta racional é a que diz que, na avaliação do primeiro-ministro, o custo de demitir Luís Neves é superior ao de o manter no Governo", afirmou, questionado mais tarde "o que é que Luís Neves sabe sobre o Governo de Portugal que impede de tomar a única decisão correta nesta matéria".
Nos pedidos de esclarecimento a esta intervenção, o Chega juntou-se às suspeitas sobre Luís Neves, porém mudando o foco, com o líder parlamentar Pedro Pinto a questionar "o que é que Luís Neves saberá para haver tanto medo do PS em relação à comissão de inquérito".
O socialista André Pinotes Batista disse que "não é por acaso" que Rui Rocha "é o liberal mais desejado pelo Chega" - liberal foi aplaudido em partes das suas intervenções por alguns membros da bancada liderada por Pedro Pinto - e que o deputado da IL "não deixou por créditos alheios essa fama", lamentando ainda que a intervenção tenha referido conclusões sobre um assunto sobre o qual o Parlamento ainda se vai debruçar.
"Luís Neves é ministro desta República porque o primeiro-ministro Luís Montenegro assim o entende", sublinhou, rejeitando que a acusação de que o PS esteja a defender o ministro.
António Rodrigues, do PSD, criticou Rui Rocha pelos termos usados para falar de Luís Neves, considerando que "chamar um ministro da República de 'criatura'" não é o "termo mais correto para se dirigir" a um governante e pedindo ao deputado liberal "um pouco mais de hombridade".
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