Linfoma não Hodgkin: Como o cancro de Netinho pode afetar o cérebro
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Netinho, cantor brasileiro que ficou conhecido com o sucesso 'Milla', entre outros, morreu esta terça-feira, dia 13 de outubro, aos 60 anos. A morte, conforme revelado pelos representantes do artista, deveu-se na sequência de um linfoma não Hodgkin de células B que evoluiu para insuficiência renal e disfunção múltipla de órgãos.
Ao Lifestyle ao Minuto, o neurocientista Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, revela pormenores do cancro, bem como da sua relação com o cérebro.
O que é o linfoma não Hodgkin?
O linfoma não Hodgkin é um tipo de cancro que se desenvolve a partir dos linfócitos, células responsáveis pela defesa do organismo. No caso dos linfomas de células B, o processo envolve células imunológicas normalmente responsáveis pela produção de anticorpos.
O neurocientista Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues explica que a doença pode ser compreendida a partir de alterações nos mecanismos moleculares responsáveis pelo controle da multiplicação celular.
O cancro surge quando determinadas alterações genéticas e moleculares permitem que as células multipliquem-se de maneira descontrolada e escapem dos mecanismos naturais de regulação e eliminação. No caso dos linfomas, este processo pode comprometer gânglios linfáticos, baço, medula óssea e outros órgãos.
Entre os fatores associados ao desenvolvimento de determinados linfomas estão alterações adquiridas no ADN, disfunções imunológicas, estados de imunossupressão e algumas infecções virais, como pelo vírus Epstein-Barr.
Qual é a relação do linfoma com o sistema nervoso?
Embora o linfoma pertença principalmente à hematologia e à oncologia, existe uma relação direta entre os sistemas imunológico e nervoso, estudada pela neuroimunologia.
Na explicação neuroanatómica, o cérebro possui vasos linfáticos localizados nas meninges, membranas que envolvem o sistema nervoso central. Essas estruturas participam na drenagem de componentes do líquido cefalorraquidiano e do transporte de elementos envolvidos na vigilância imunológica para os gânglios cervicais.
Essa comunicação demonstra que o cérebro não está completamente isolado do sistema imunológico, como se acreditava anteriormente.
Em determinadas situações, linfomas também podem atingir o sistema nervoso central, comprometendo estruturas cerebrais, meninges ou medula espinhal. Dependendo da localização, podem provocar alterações cognitivas, fraqueza muscular, dificuldades motoras, alterações visuais e crises convulsivas.
Isto não significa que todos os linfomas afetem o cérebro. No caso de Netinho, não foi divulgada confirmação de comprometimento direto do sistema nervoso pelo cancro.
A evolução da doença depende do subtipo celular, das alterações moleculares, da extensão do tumor e da resposta ao tratamento. Alguns linfomas apresentam progressão lenta, enquanto outros podem desenvolver-se rapidamente e comprometer diferentes órgãos.
No caso do cantor, as complicações renais e a disfunção múltipla de órgãos foram apontadas pela equipa como consequências da evolução da doença, sem divulgação dos mecanismos clínicos específicos responsáveis por essas complicações.
A morte de Netinho chama a atenção para uma doença que pode apresentar manifestações muito diferentes e cuja identificação exige avaliação hematológica especializada.