Mulher com cancro diagnosticada com hemorroidas. Família indemnizada
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Uma mulher morreu após vários médicos terem confundido hemorroidas com um cancro colorretal, em Sevilha, Espanha. O caso aconteceu em 2020, mas a família da vítima foi agora indemnizada em 30 mil euros.
Segundo conta a estação espanhola Telecinco, a mulher foi nove vezes ao médico, ao longo de vários meses, queixando-se de desconforto e hemorragias retais. Foi sempre diagnosticada com hemorroidas até decidir ir a um hospital privado em Granada, onde foi submetida a uma colonoscopia e se percebeu que, afinal, tinha cancro colorretal.
A primeira vez que a mulher, que tinha antecedentes de problemas digestivos há vários anos, incluindo episódios de obstipação e diarreia, recorreu aos serviços de saúde pública foi em maio de 2020.
No mês seguinte, em junho de 2020, deslocou-se novamente ao centro de saúde devido a umas deformações que acreditava serem hemorroidas. Foi-lhe apenas recomendado banhos de assento e um tratamento farmacológico.
Uma semana depois, voltou a recorrer aos serviços de saúde com queixas semelhantes, tendo sido submetida a uma tomografia axial computorizada (TAC). No entanto, os exames não detetaram o tumor.
Já a 30 de julho, um médico acabou por encaminhar a mulher para o serviço de cirurgia, sem que nada fosse detetado. Duas semanas mais tarde, a 14 de agosto, recorreu ao serviço de urgência do centro de saúde de Estepa, onde foi novamente diagnosticada com hemorroidas.
O verdadeiro diagnóstico só chegou um mês depois, a 14 de setembro de 2020, quando a paciente decidiu ir a um hospital privado devido às dores anais que sentia há várias semanas. Foi feita uma colonoscopia, onde foi detetado um tumor no reto, e, posteriormente, uma biópsia, que confirmou a existência de um adenocarcinoma.
No dia seguinte, a mulher deslocou-se ao Hospital Universitário de La Merced, em Osuna, onde um exame por toque retal permitiu detetar uma massa. Nos dias seguintes, foi submetida a uma TAC torácica e uma ressonância magnética, que revelaram um tumor de grandes dimensões, que já afetava a vagina e a bexiga. A mulher acabou por morrer pouco tempo depois.
Serviço de Saúde da Andaluzia condenada a pagar indemnização de 30 mil euros
O Tribunal Superior de Justiça da Andaluzia condenou o Serviço de Saúde da Andaluzia (SAS) ao pagamento de uma indemnização de 30 mil euros à família da vítima pelo atraso do diagnóstico, considerando que não foram utilizados todos os meios disponíveis para identificar o tumor.
A sentença sublinhou que os antecedentes clínicos da paciente, incluindo leucemia crónica e um cancro do endométrio há vários anos, "ilustram a existência de um quadro que exigia uma suspeita clínica particular ou, pelo menos, uma especial diligência por parte dos profissionais de saúde envolvidos, impondo um maior rigor na realização e aplicação dos procedimentos de diagnóstico utilizados para identificar a verdadeira extensão da doença de que a paciente sofria".
Numa primeira decisão, o Tribunal do Contencioso Administrativo n.º 10 de Sevilha tinha rejeitado o pedido de indemnização, tendo em conta a ausência de sintomas inequívocos nas primeiras consultas, a dificuldade em detetar o tumor devido à sua localização e a pressão sobre os serviços de saúde durante a pandemia de Covid-19.
No entanto, para o Tribunal Superior de Justiça da Andaluzia, estas circunstâncias não justificam o atraso na deteção do tumor e "a inadequação do diagnóstico é indiscutível à luz dos antecedentes descritos".
Os juízes salientaram ainda que "é, sem dúvida, surpreendente" que, apenas um mês antes do diagnóstico, o serviço de urgência de Estepa tenha emitido um relatório no qual se indicava que a paciente sofria de hemorroidas.
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