Netanyahu saúda transferência de embaixada da Colômbia para Jerusalém
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O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, saudou hoje a transferência da embaixada da Colômbia para Jerusalém, um gesto raro, congratulando-se pelos avanços do seu país na América Latina.
Com exceção dos Estados Unidos, a grande maioria dos países que reconhecem Israel mantém a sua embaixada em Telavive, considerando que o estatuto de Jerusalém deve ser determinado no contexto de um acordo definitivo do conflito israelo-palestiniano.
Presente na cerimónia de inauguração da embaixada colombiana em Jerusalém, Netanyahu afirmou que a América Latina representa um trunfo crescente para Israel, confrontado com forte reação internacional devido à guerra em Gaza, inclusive por parte dos seus aliados ocidentais tradicionais.
"A coligação mundial do wokismo acaba de sofrer uma derrota", disse o primeiro-ministro, referindo-se aos reveses eleitorais de líderes de esquerda nesta região do mundo, muito críticos em relação a Israel.
"Estamos prontos para combater os bárbaros. E agradecemos àqueles que estão connosco, e a Colômbia está connosco", adiantou. "Não terão melhor amigo do que Israel", sublinhou.
Antes de uma eleição parlamentar renhida, marcada para 27 de outubro, a oposição culpa Benjamin Netanyahu pelo isolamento diplomático de Israel.
O presidente de extrema-direita colombiano, Abelardo de la Espriella, que chegou ao poder em agosto, cumpriu rapidamente a promessa de transferir a embaixada para Jerusalém, numa rutura clara com o seu antecessor de esquerda, Gustavo Petro, que tinha cortado relações diplomáticas com Israel em 2024 devido à guerra em Gaza.
Israel tinha sido até então um dos principais parceiros de segurança da Colômbia.
Os dois países têm "imensas oportunidades de cooperação", especialmente em termos de partilha de informações e combate ao crime organizado, sublinhou o presidente colombiano numa mensagem em vídeo.
"Estamos a abrir uma nova porta que permite à Colômbia e a Israel aproximarem-se", destacou, citando a cooperação económica, científica e universitária.
Israel considera Jerusalém como a sua capital indivisível, uma posição que não é reconhecida pela comunidade internacional, à exceção de alguns países, incluindo os Estados Unidos.
Israel apoderou-se de Jerusalém às custas da Jordânia durante a guerra israelo-árabe de 1967 e anexou-a, mas essa anexação não é reconhecida pela ONU.
A Autoridade Palestina já condenou a decisão da Colômbia, afirmando que esta "prejudica o consenso internacional sobre o estatuto jurídico da cidade santa e viola os direitos inalienáveis do povo palestiniano".
A Arábia Saudita denunciou uma "violação flagrante do direito internacional".
Para além da Colômbia, Estados Unidos, Guatemala, Honduras, Kosovo, Papua Nova Guiné, Paraguai, ilhas Fiji, Nauru e o Somaliland têm uma embaixada em Jerusalém.
O presidente argentino Javier Milei, ultraliberal e fervoroso apoiante de Israel, também anunciou, em junho de 2025, que a embaixada do seu país seria transferida para Jerusalém em 2026. E na semana passada, o chefe da diplomacia israelita anunciou uma transferência próxima da embaixada da República Democrática do Congo.
Já com o atual presidente, a Colômbia também reconheceu a soberania reivindicada por Israel sobre o planalto do Golan, desde a sua conquista à Síria em 1967 e anexação em 1981, até então apenas reconhecida por Washington.
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