Presidente moçambicano afirma que droga nas escolas é linha vermelha

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                    Presidente moçambicano afirma que droga nas escolas é linha vermelha
Presidente moçambicano afirma que droga nas escolas é linha vermelha (Foto: Reprodução)

O Presidente moçambicano afirmou hoje que droga junto das escolas é uma "linha vermelha", prometendo uma resposta "com toda a autoridade da lei e com toda a força da nação" para proteger crianças e adolescentes.

 

"Que país seremos nós se à porta das nossas escolas se vende a morte embrulhada em papel de rebuçado para as nossas filhas e os nossos filhos? Que futuro construiremos se a mão que deveria segurar o lápis é seduzida, aos nove, aos dez, aos doze, aos treze anos, pela mão que distribui o veneno", questionou Daniel Chapo, em Maputo, na abertura da Conferência Nacional sobre Prevenção e Combate à Droga.

Na intervenção, perante centenas de convidados, incluindo especialistas do Brasil e de Portugal, o chefe de Estado afirmou que as escolas moçambicanas estão sob pressão das redes de narcotráfico, descrevendo a situação como uma das suas maiores preocupações.

"A escola que deveria ser o templo do saber e o refúgio seguro dos nossos filhos e das nossas filhas está a ser assediada pelas redes de drogas", assumiu.

Segundo o Presidente, o problema deixou de poder ser analisado apenas através de indicadores criminais ou estatísticos.

"Não estamos a falar de números, nem de estatísticas. Estamos a falar de crianças moçambicanas. Estamos a falar dos nossos filhos, das nossas filhas. Estamos a falar dos nossos netos e das nossas netas. Estamos a falar dos nossos irmãos e das nossas irmãs, cujos sonhos estão a ser roubados antes mesmo de desabrochar", disse.

Perante este cenário, Daniel Chapo garantiu que o Governo não tolerará a expansão do tráfico e consumo de droga em ambiente escolar.

"Esta é uma linha vermelha que não consentiremos ver ultrapassada (...) A proteção da criança é um imperativo constitucional e um dever sagrado do Estado moçambicano", acrescentou, prometendo igualmente medidas repressivas contra os pontos de venda e consumo de droga, vulgarmente conhecidos como "bocas de fumo".

No domínio da investigação criminal e da intervenção policial, defendeu ações coordenadas do Ministério Público, tribunais, Polícia da República de Moçambique (PRM), Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) e restantes forças de segurança.

Referindo-se a locais já identificados pelas autoridades, o chefe de Estado declarou que "o Estado não pode nem deve ter qualquer complacência".

"Impõe-se a sua identificação, o seu encerramento e a responsabilidade criminal de todos quantos, direta ou indiretamente, deles tirarem proveito", frisou.

O Presidente anunciou ainda a intenção de reforçar a prevenção junto dos jovens, defendendo a criação e revitalização de núcleos antidroga nos estabelecimentos de ensino públicos e privados.

No discurso, Daniel Chapo alertou também para a crescente sofisticação do tráfico de droga, referindo que as organizações criminosas utilizam tecnologias digitais, plataformas encriptadas e novos meios de pagamento para expandirem as suas operações.

O chefe de Estado acrescentou que as autoridades têm registado um aumento do consumo de drogas, incluindo entre menores de idade, situação que considera refletir a dimensão do desafio enfrentado pelo país.

"A dimensão deste fenómeno manifesta-se ainda no surgimento de novas substâncias psicoativas e no aumento do número de consumidores, incluindo menores de idade", afirmou.

Para o Presidente, a resposta ao problema exige a mobilização conjunta do Estado, famílias, escolas e comunidades para impedir que as redes criminosas continuem a recrutar consumidores entre as camadas mais jovens da população.

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