Presidente moçambicano apela a prevenção de desastres

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                    Presidente moçambicano apela a prevenção de desastres
Presidente moçambicano apela a prevenção de desastres (Foto: Reprodução)

O Presidente moçambicano defendeu hoje um reforço dos investimentos em prevenção e redução do risco de desastres, apelando a uma maior mobilização de financiamento climático e ao cumprimento dos compromissos internacionais para apoiar países vulneráveis às alterações climáticas.

 

"Precisamos fortalecer o sistema de aviso prévio, preparar as comunidades, melhorar o ordenamento territorial, investir em infraestruturas resilientes e desenvolver capacidades institucionais que permitam antecipar riscos, mobilizar recursos e coordenar intervenções antes, durante e depois das calamidades", disse Daniel Chapo durante a abertura do I Congresso Internacional de Ação Humanitária e Cooperação, na cidade da Beira, província de Sofala, centro do país.

O chefe de Estado admitiu que Moçambique continua particularmente exposto a fenómenos naturais extremos, agravados pelas mudanças climáticas e assinalou que a prevenção deve assumir um papel central na estratégia nacional de gestão do risco de desastres.

"Porque prevenir é proteger vidas, preparar é reduzir vulnerabilidades e reconstruir com resiliência é proteger o nosso futuro", declarou.

Segundo o Presidente, o Governo encontra-se atualmente a mobilizar recursos para financiar um plano de reconstrução associado às recentes cheias que afetaram o sul do país.

"Estamos neste momento a mobilizar recursos para o financiamento de um plano de reconstrução orçado em cerca de 1,6 mil milhões de dólares [1,4 mil milhões de euros]", explicou.

Chapo defendeu ainda que a comunidade internacional deve prestar maior atenção à questão da justiça climática: "Um dos temas que nós gostaríamos de ver discutido nesta Conferência Internacional é a justiça climática e o financiamento climático".

O chefe de Estado destacou igualmente o papel desempenhado pelos comités locais de gestão de risco e desastres na proteção das comunidades.

"Nós, em Moçambique, o nosso segredo de sucesso são os Comités Locais de Gestão de Riscos e Calamidades", reiterou.

Na conferência, o reitor da Universidade Licungo, Boaventura Aleixo, anunciou a criação da Rede Internacional de Investigação e Ação Humanitária, uma plataforma que pretende aproximar universidades, centros de investigação e instituições ligadas à ação humanitária e cuja sede inicial ficará em Moçambique.

Segundo o responsável, a iniciativa será o culminar dos trabalhos do I Congresso Internacional de Ação Humanitária e Cooperação (CIAHC-2026) e visa garantir a continuidade da cooperação científica e institucional para além do evento.

"O CIAHC-2026) constitui não apenas a primeira edição de um congresso, mas o ponto de partida para um processo internacional e permanente de investigação, formação e cooperação humanitária", disse.

Durante os dois dias do encontro serão apresentadas 85 comunicações científicas distribuídas por seis áreas temáticas, incluindo gestão de riscos de desastres, conflitos, deslocamentos populacionais, financiamento humanitário e inclusão social, contando com a participação de dez países.

Por sua vez, a coordenadora residente das Nações Unidas em Moçambique, Catherine Sozi, alertou para o agravamento das necessidades humanitárias no país, apontando o impacto das alterações climáticas e da insegurança em Cabo Delgado.

"As necessidades humanitárias estão a aumentar. Os desastres climáticos estão a intensificar-se. O conflito e a insegurança no norte de Moçambique continuam a provocar deslocamento de comunidades", afirmou.

Segundo a responsável, os recursos humanitários disponíveis continuam, porém, sob pressão.

"No entanto, os recursos são cada vez mais limitados", alertou.

Moçambique é considerado um dos países mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas, registando regularmente cheias, ciclones tropicais e outros fenómenos extremos durante a época chuvosa.

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