Privatização da TAP? "Parece ser um fabuloso negócio para o país"
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O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, considera que a entrada da Lufthansa como acionista da TAP "parece ser um fabuloso negócio para o país".
"Esta operação é extraordinária, não apenas pelo valor que é atribuído à empresa, os tais 2500 milhões de euros da valorização total - o Estado recebe 1.200 milhões de euros agora -, mas também porque ficamos ligados ao quarto maior grupo de aviação mundial, estável, de qualidade, deixando a TAP portuguesa, com sede em Portugal, com bandeira portuguesa, com expansão da rota. É uma das coisas que a TAP não podia fazer por causa desses erros de Pedro Nuno Santos e de António Costa", afirmou, em entrevista ao programa "Importa-se de repetir?", da SIC Notícias.
"O que aconteceu à TAP foi ficar, por causa dessa restruturação, obrigada a ser pequenina e impedida de voltar a ter uma injeção", continuou.
Governo encara possibilidade de venda total
Na ótica do Governo, com o negócio feito agora, "temos a possibilidade de, ao vendermos num futuro, se assim decidirmos, a totalidade, ficarmos com uma parte de participação na Lufthansa".
"Isto é, em vez de ficarmos com uma participação maior numa coisa pequenina, temos a hipótese, segundo esta proposta, de ter uma participação que é menor num dos maiores do mundo. Portugal pode ser o segundo maior acionista e o principal acionista estatal do quarto maior grupo de aviação do mundo", sublinhou o ministro da Presidência.
Questionado sobre a opinião do PS, que acha precipitado anunciar para já a privatização a 100%, uma decisão que tem de ser tomada até ao final de 2028, Leitão Amaro respondeu apenas que o acordo concretizado hoje "parece ser um fabuloso negócio para o país".
Sobre os 49,9%, "houve conversas com o país inteiro", garantiu o ministro quanto à opinião do PS e Chega. Já sobre a necessidade de um acordo para a privatização a 100%, o governante sublinhou que o Governo precisa apenas "de não ter nenhum bloqueio".
"Estamos tão longe ainda disso", ressalvou, defendendo ainda assim que o Governo acha que esse é o caminho: "Achamos que faz muito sentido, achamos que é uma grande proposta para o país, achamos que é o caminho que deve ser trilhado. Eu acho que o país percebe que esta proposta que aqui chegou - não apenas esta compra de 49,9%, mas a oportunidade de chegar aos 100% - é uma grande oportunidade para o país."
Assim sendo, Leitão Amaro defendeu que aceitar essa proposta é uma responsabilidade do PS.
Já quanto ao Chega, o ministro atirou que já viu várias posições do partido quanto ao tema e considera que os "portugueses já sabem que cada vez menos podem esperar algo de certo desse partido".
"Eu creio que o tempo dirá, quando chegarmos ao tempo das decisões, quando todos os diálogos devem acontecer, será tão claro - mas eu creio que já é para muitos de nós - que será uma grande oportunidade para o país, que ninguém com responsabilidade como os dois partidos da oposição se oporá a uma coisa que é tão importante", insistiu.
Recorde-se que o Governo selecionou, esta quarta-feira, a Lufthansa para a privatização parcial da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, prevendo concluir a operação até ao início de 2028, anunciou o primeiro-ministro, Luís Montenegro, em conferência de imprensa.