SOS Racismo repudia "violência policial" contra manifestantes no Porto

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                    SOS Racismo repudia
SOS Racismo repudia "violência policial" contra manifestantes no Porto (Foto: Reprodução)

A organização SOS Racismo repudiou hoje a "violência policial contra a acampada no Porto" e condenou "veementemente a violência", esta madrugada, de que resultaram, segundo o movimento pelo direito à habitação, 39 feridos, dois deles graves.

 

Em comunicado, a organização classificou de "ilegítima e inadmissível" a "carga policial contra o grupo de pessoas que se manifestavam de forma pacífica e, inclusive, cooperante com as autoridades", e exigiu o "apuramento cabal de responsabilidades".

"Na madrugada desta quinta-feira, a Praça D. João I, no Porto, foi palco de um episódio de opressão e violência atroz por parte das forças policiais. Por volta das 02:50, a polícia de intervenção deu ordem para a retirada das tendas instaladas no local", escreve a SOS Racismo.

E prossegue: "apesar de as pessoas presentes arrumarem ordeiramente essas instalações, a resposta foi implacável: para quem luta por um direito constitucional, o direito a ter uma casa, não faltaram bastonadas".

A organização assinala ainda que "à violência física somou-se a destruição de bens: tendas, faixas e até mesmo dos pertences de quem participava na acampada", como "mochilas, carteiras, telefones".

Para a SOS Racismo, "a ordem terá sido dada pelo presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, que faz tábua rasa da Constituição, do direito à habitação, à manifestação e à integridade física".

A organização entende também que a "PSP foi a protagonista da insegurança, da violência, da ignomínia" ocorrida naquela praça da baixa do Porto.

"Perante o injustificável, [o primeiro-ministro] Luís Montenegro veio tecer elogios às forças de segurança, dizendo que são extraordinariamente criteriosas e respeitadoras do princípio da necessidade, da adequação e da proporcionalidade", acrescenta o comunicado.

Segundo a nota de imprensa, "mais uma vez, o primeiro-ministro deixou clara qual a função que a PSP deve assumir".

"Esta força policial não é mobilizada para garantir a proteção das pessoas, mas sim para ser instrumento de repressão com caráter ideológico e, neste caso em concreto, de favorecimento da especulação imobiliária e da imposição pela força contra a vontade popular", lê-se ainda.

A SOS Racismo afirma ainda que Luís Montenegro "não se coibiu de acusar os cidadãos que procuram denunciar o agravamento da crise da habitação e exigir condições de vida dignas de serem egoístas".

"Pedro Duarte e Montenegro querem tentar convencer-nos de que estamos perante provocadores. A mensagem é clara: não lhes interessa que o aumento dos preços e das rendas não parem de subir, que as famílias estejam sufocadas face ao aumento do custo de vida. Perante uma crise galopante da habitação, nem o Governo nem a Câmara têm respostas", criticam.

Na quarta-feira, em assembleia popular, as pessoas votaram por manter o protesto e voltar a dormir em tendas, manifestando o grupo vontade de "continuar a crescer e não só no Porto", apelando a outras cidades, como o que já está convocado para Lisboa no sábado.

Cerca das 03:00, uma carga policial acabou, novamente, com a acampada, numa investida que os jovens do movimento classificaram de violenta e desproporcional e que resultou, ainda segundo o movimento, em 39 feridos, dois deles graves.

Na segunda-feira, a Polícia Municipal retirou cerca de 50 tendas que estavam armadas na praça, fundamentando a câmara que o acampamento ocupava indevidamente o espaço público, levando os manifestantes a dormir ao relento, mantendo o protesto mesmo sem isso.

Carga policial no Porto foi uma "atuação correta", defende Chega

O Chega classificou como correta a intervenção da PSP na manifestação pela habitação no Porto, considerando que a lei não estava a ser cumprida e que Portugal não pode ser um país de tendas na rua.

Lusa | 17:52 - 15/10/2026