"Voltaremos", garantiu porta-voz de manifestantes no Porto
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Um porta-voz do grupo que luta por "Mais Habitação", concentrado pacificamente desde sábado no Porto, e que durante a madrugada foi desmobilizado à força pela PSP, garantiu que o movimento vai regressar à praça e que o protesto vai continuar.
"Voltaremos e permaneceremos", disse Pedro Manuel, manifestando "total repúdio" pela intervenção e violência policial, acusando as autoridades de "instrumentalizarem as forças policiais".
Segundo este jovem, a carga policial terá provocado mais de 37 feridos, cinco dos quais em estado grave.
Em declarações à comunicação social, Pedro Manuel disse que os agentes da PSP intervieram pelas 03:00, quando os manifestantes descansavam, depois de terem montado tendas no local na sequência de uma assembleia popular, pelas 21:30 de terça-feira.
Segundo o manifestante, o grupo tinha formado um cordão humano pacífico para impedir a remoção das tendas por um carro de limpeza, durante a madrugada, tendo os seus representantes falado com a Polícia Municipal.
"Fizemos um cordão humano totalmente pacífico", afirmou Pedro Manuel, acrescentando que os representantes do movimento entenderam, após essa conversa, que as autoridades não iriam intervir para retirar as tendas.
O entrevistado reconheceu, contudo, que o grupo não tinha autorização para manter as estruturas montadas na praça.
Pedro Manuel relatou que, quando os agentes chegaram, os manifestantes voltaram a formar um cordão humano e cantavam "Grândola, Vila Morena", de Zeca Afonso, quando, segundo a sua versão, a polícia avançou sobre o grupo.
O manifestante acusou ainda as forças policiais de recorrerem a "uma força desmedida".
Segundo Pedro Manuel, o material dos manifestantes, incluindo mesas e cadeiras, foram partidos e utilizados para os agredir.
O participante disse que o balanço provisório era de mais de 37 feridos, dos quais pelo menos cinco em estado grave, tendo dois sido transportados pelos Bombeiros Voluntários do Porto, ao Hospital de Santo António.
Em declarações aos jornalistas ao início da manhã o 2.º comandante dos Bombeiros Voluntários do Porto, Henrique Oliveira, confirmou que sete feridos deslocaram-se pelos seus próprios meios ao quartel e foram assistidos pela equipa de emergência que se encontrava de serviço.
A pedido de um outro popular, referiu, os bombeiros foram auxiliar uma outra pessoa que se encontrava ferida no local da manifestação.
No total, segundo o mesmo responsável, os Voluntários do Porto transportaram duas pessoas em estado considerado mais grave para o Santo António.
Os feridos mais graves são duas mulheres que apresentavam "ferimentos mais profundos, hematomas e cortes", de acordo com Pedro Manuel, que referiu que ambas se encontravam estáveis.
Entretanto, o movimento pela habitação convocou hoje nova concentração, pelas 19:00.
Através da rede social Instagram, a acampada convoca nova concentração, pelas 19:00, no local onde começou o movimento que, desde sábado, tem ocupado o local, mesmo que na segunda-feira a Polícia Municipal lhes tenha retirado cerca de 50 tendas e, esta madrugada, uma carga policial tenha causado, segundo contas do movimento, 37 feridos, dois graves.
"Face ao abuso policial, poder popular", pode ler-se no cartaz para a concentração de hoje.
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